Skip to main content

Full text of "Professores defendem reestruturação da carreira do magistério superior"

See other formats


Professores defendem 
reestruturação da Carreira 
do Magistério Superior 


O ano de 2010 será decisivo para um assunto que há tempos vem mobilizando os professores das 
universidades públicas federais brasileiras. A reestruturação da Carreira dos docentes tem pela 
frente seis meses de intensos debates entre as entidades que representam um dos corpos 
acadêmicos mais qualificados da América Latina e o governo federal. Em julho do próximo ano, 
termina o prazo para a discussão do tema, segundo o acordo firmado em 2007 entre o Proifes, 
Sindicato que representa os docentes das Ifes, e o governo. Não há receio de que a parcela de 

2010 do acordo não seja paga, mas existe a insatisfação com a condução das negociações 
da Carreira neste ano. E os docentes querem que a nova Carreira seja criada em 
ambiente de diálogo, de forma que não sejam trazidos prejuízos para a 
categoria, em especial para os aposentados. 
O Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Federal (Proifes- 
Sindicato) formalizou uma proposta para o novo Plano de Carreira em 
agosto. O governo recebeu, mas o debate tem sido muito moroso e 
pouco produtivo. Se de um lado o governo federal alega que a 
Í crise econômica internacional impacta qualquer possibilidade de 
' aumentar os gastos públicos no Orçamento da União, do outro 
os professores defendem que seja definido imediatamente 
como será a evolução na Carreira e o Teto Salarial da 
categoria, entre outras questões. Ou seja, qual será o 
A ) futuro da Carreira Docente. 


por Maurício Boff 


LB | avveRso 173] DEZEMBRO 2009 


O acordo entre o Governo e os professores universitá- 
rios foi firmado em 2007. Naquele ano, ficou estabeleci- 
do que haveria aumentos sucessivos de salários em 2008, 
2009 e 2010. A negociação garantiu vantagens, como a 
recuperação da paridade entre os ativos e os aposenta- 
dos. Houve reajustes acima da inflação para o conjunto 
da categoria, e em alguns casos, os reajustes chegarão 
em julho de 2010, data do próximo aumento previsto, a 
cerca de 70%. Porém, a negociação ocorrida há mais de 
dois anos também previa a reestruturação das carreiras 
dos docentes. “O prazo está se esgotando e o debate com 
o Governo acontece de uma forma tortuosa”, salienta o 
vice-presidente do Proifes, Eduardo Rolim de Oliveira. 

Representantes da Secretaria de Recursos Humanos 
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 
(SRH/MP0G), da Secretaria de Educação Superior do 
Ministério da Educação (Sesu/MEC), do Proifes e da 
Andes iniciaram o debate em uma mesa de negociação, 
que busca definir como será o futuro das carreiras nas 
universidades públicas federais. Essa mesa substitui um 
GT criado, assim como outros, após os acordos de 
2007/2008. Porém, depois que a crise econômica estou- 
rou, em outubro do ano passado, os trabalhos destes GTs 
foram paralisados. A ideia central era debater os temas 
trabalhistas considerados fundamentais. “O problema é 
que o GT virou uma mesa de negociação”, critica Rolim. 

O Proifes concluiu a sua proposta do que seria o novo 
Plano de Reestruturação de Carreira durante o 5º Encon- 
tro Nacional, em São Paulo, em agosto deste ano. O 
Ministério do Planejamento, que coordena o tema pelo 
Governo, até o momento não respondeu aos professores. 


Ao contrário, resolveu apresentar uma síntese de minuta 
de um Projeto de Lei que propõe enquadrar, automatica- 
mente, os atuais servidores de acordo com a classe e o 
nível em que se encontram posicionados, ao criar uma 
nova Classe, a do Professor Sênior, acima de Associado. 
Segundo alerta o vice-presidente do Proifes, isso faz com 
se criem prejuízos para os atuais docentes, que ficariam 
mais afastados do topo, em especial os aposentados. 

Outro receio apontado pelos representantes dos 
docentes é quanto aos critérios de evolução salarial e de 
ingresso na Carreira. Hoje, o professor com o título de 
graduado ingressa na Classe de Auxiliar; com o título de 
mestre, na Classe de Assistente e com o título de doutor, 
na Classe de Adjunto. A minuta do Projeto de Lei diz que 
o ingresso ocorrerá no primeiro nível da Classe de Auxili- 
ar, respeitada a tributação do servidor, através da RT. O 
professor ingressaria na classe inicial, a de Auxiliar, e, 
conforme os critérios de titulação e de mérito, progredi- 
ria até chegar à classe final da Carreira. “Sem que o 
Governo afirme claramente a possibilidade de que todos 
vão progredir até a Classe de Sênior, afirma Rolim”. 

A minuta do Projeto de Lei do Governo nada diz a 
respeito da equiparação salarial com a Carreira de Ciência 
e Tecnologia, o que é reivindicado pelos docentes. A 
proposta ainda prevê a criação da Gratificação de Precep- 
toria, para quem orienta estágios na área de saúde; a 
Retribuição por Projetos Institucionais, para os que, no 
regime de Dedicação Exclusiva (DE), queiram receber por 
projetos de pesquisa e extensão; e cria cargos para 
coordenação de curso, sem contudo esclarecer nenhuma 
das propostas. (4) 


Principais pontos da proposta de reestruturação de 
carreira apresentada pelo Proifes 


- Criação de uma nova classe, na base da estrutura da 
carreira, alongando-a. 

- Definição das regras adequadas para o enquadramento 
dos professores ativos e aposentados 

- Isonomia entre as carreiras dos professores do Ensino 
Superior e Ensino Básico Técnico e Tecnológico (EBTT) 

- Estabelecimento de padrões lógicos para os steps do 
Vencimento Básico (VB) e da Retribuição por Titulação (RT) 

- Incorporação da Gratificação Específica do Magistério 
Superior (Gemas) e da Gratificação Específica de Atividade 
Docente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (GEDBT) 

- Progressão acelerada na carreira pela excelência 
acadêmica 

- Valorização salarial pela progressão na carreira 

- Equiparação do piso e teto para o professor das Ifes aos 
níveis dos profissionais da Carreira de Ciência e Tecnologia 
(C&T) 

- Interstício de 18 meses para as progressões 

- Manutenção do cargo de Professor Titular 


ADVERSO 173 | DEZEMBRO 2009 


149